domingo, 12 de novembro de 2017

Depois
há ainda,
a flor das acácias,
enquanto
se beijam os sentidos,
sobre discretos
bancos de jardim.


sábado, 11 de novembro de 2017

sou das ovelhas negras, a mais colorida que o rebanho tem.  
Da espécie, deixem-me em paz. Casa arrumada, mente desorganizada, independente, mãos livres, pés no chão e cabeça na lua, cabelos ao vento, cara lavada, palavra afiada, rebelde de vão de escada, varanda florida de janela grande.

Criativa_mente, fazedora de sonhos e pontes, partitura de ideias obstinadas, amante das arvores, das serras, dos rios, das montanhas e de todas as florestas encantadas, histórias mágicas, noites de cantigas com fogueiras ao relento.

Pensa_dona, doidona, qualquer coisa entre o humano e o alien, de arrepio fácil, dada a saltos em altura e avessa a saltos altos, de gargalhadas tolas, pessoa criança, adora gente de luz e de olhos brilhantes.

Preocupada, desencontrada, feliz e triste, ás vezes atormentada, seguidora da mãe terra, apaixonada pela vida, por tudo o que é bonito, boa musica, comida e gente.

E também mudo de opinião, viro a página, mudo de pele, de graduação, de sistema operativo, de connexão, de padrão, conjugação, mudo de continente, de cor preferida, de prato do dia.

Ou não, mantenho-me simplesmente fiel a quem sou, sendo que o que sou, muda todos os dias,
ou não.





quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Estou longe. Neva lá fora, acabo de pôr um tronco no fogo, não o quero brando. O caldeirão é pequeno, está pendurado por dois ganchos de ferro velho, presos á parede de pedra que circunda o buraco da chaminé. São horas de dormir e o meu cérebro fervilha de ideias. Para um bom caldo não te esqueças, uma boa pitada de sal, tudo o resto é segredo.

Quando for grande quero ser bruxa.



De todas as caldeiradas, as que mais gosto são as de peixe, cebola á grande, alho e azeite sem medo, o tomate, pimentos de todas as cores, batatas e vinho branco, um grande molho de coentros, de preferencia com alguns camarões dentro, a fazer lembrar uma mão cheia de amigos, todos diferentes. A conversa é boa quando a comida é boa e as pessoas cantam com vontade de transbordar, panelas fundas á volta de conversas com conteúdo. Uma boa caldeirada é janela para cotovelos em cima da mesa, tábua de madeira grande, toalha aos quadradinhos, a velha jarra de flores amarelas, qual molho de sorrisos ao lado de um pão a sair do forno.

Que não nos falte o apetite para a vida.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Vou sempre gostar do teu ar despenteado, ligeiramente alucinado, e do teu cheiro, do teu pescoço, da tua boca na minha, da minha boca em ti, do teu corpo nos meus dedos, do sorriso timido e desses olhos grandes cheios de pestanas.

Acabou.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Quando tens a certeza
99% dos teus amigos precisam de terapia,
incluindo o teu psicólogo,
a tua familia, o teu vizinho,
algo de errado se passa contigo?
algo de errado se passa com eles?
algo de errado se passa no mundo em geral?
O que é ser normal?
não dar nas vistas, olhar e sorrir, abanar a cabeça, ligeiramente, em sinal de aprovação.

A normalidade é um prato de sopa, sopa de espinafres, ou
uma palavra inventada para nos enganar_mos uns aos outros.

E para o jantar, há cogumelos!
Enquanto a gata mia,
do armário a ouvir uma grande voz,

Ella Fitzgerald - Summertime (1968)



domingo, 5 de novembro de 2017